EDUCAÇÃO SUPERIOR PARTICULAR CRESCE EM QUALIDADE ACADÊMICA

As instituições de ensino superior (IES) particulares estão evoluindo tanto em qualidade quanto em aumento dos cursos de excelência. É o que indicou a análise de cenário realizada pela Educa Insights, empresa especialista em pesquisa no mercado da educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES).

Ao avaliar indicadores de qualidade de IES públicas e particulares, baseados nos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a análise demonstra o panorama da qualidade do ensino superior brasileiro de instituições de ensino superior (IES), em diferentes categorias administrativas, e ele indica uma maior evolução no setor particular.

Primeiramente, foi feita a análise da evolução das IES e dos cursos de excelência levando em conta o resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2015 e os indicadores de qualidade: Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC).

Foram analisados os comportamentos e cursos de excelência das IES com notas 4 e 5, dos setores público e privado. O resultado mostrou que houve uma maior evolução no setor particular, apesar de a proporção de IES e cursos de excelência ainda ser maior no setor público.

Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2015, das 2.364 instituições de ensino superior (IES) existentes no Brasil, 2.069 são particulares. No entanto, a concentração dos cursos de excelência ainda é maior nas IES públicas (37% contra os 28% oferecidos pelas IES particulares). Vale registrar, contudo, que uma quantidade maior de alunos desses cursos de excelência (85%) está ingressando nos oferecidos pelas IES particulares, o que indica que o potencial dos cursos de excelência é ainda melhor aproveitado no setor privado, mesmo com uma fatia menor de IES com cursos de excelência.

A análise também levantou as melhores IES por cursos avaliados e o resultado demonstrou que as instituições particulares estão evoluindo. Foram selecionados os 15 maiores cursos do ciclo de 2015 e analisadas as dez melhores IES por curso (a partir das notas do CPC= 4 e 5). O resultado indicou que as IES de melhor performance no CPC são as particulares e, mesmo quando consideramos somente cursos de graduação bacharelado, percebemos que 79% das IES com os melhores cursos também são as privadas.

O setor de educação superior particular vem crescendo consideravelmente ao longo dos anos. Isso significa que as IES particulares estão sendo fundamentais para a expansão do segmento, e estão cada vez mais competitivas em relação à qualidade acadêmica e institucional, contribuindo assim para o aumento no acesso à educação superior.

 

Para saber mais

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação, em relação aos conteúdos programáticos, habilidades e competências adquiridas em sua formação. O exame é obrigatório e a situação de regularidade do estudante no Exame deve constar em seu histórico escolar.

A primeira aplicação do Enade ocorreu em 2004 e a periodicidade máxima da avaliação é trienal para cada área do conhecimento. Em 2015 os cursos aferidos forma Negócios e Humanidades.

O Conceito Preliminar de Curso (CPC) é um indicador de qualidade que avalia os cursos de graduação. Seu cálculo e divulgação ocorrem no ano seguinte ao da realização do Enade, com base na avaliação de desempenho de estudantes, no valor agregado pelo processo formativo e em insumos referentes às condições de oferta – corpo docente, infraestrutura e recursos didático-pedagógicos –, conforme orientação técnica aprovada pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes).

O Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) é um indicador de qualidade que avalia as Instituições de Educação Superior. Seu cálculo é realizado anualmente e leva em conta os seguintes aspectos:

  • Média dos CPCs do último triênio, relativos aos cursos avaliados da instituição, ponderada pelo número de matrículas em cada um dos cursos computados;
  • Média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu atribuídos pela CAPES na última avaliação trienal disponível, convertida para escala compatível e ponderada pelo número de matrículas em cada um dos programas de pós-graduação correspondentes;
  • Distribuição dos estudantes entre os diferentes níveis de ensino, graduação ou pós-graduação stricto sensu, excluindo as informações do item II para as instituições que não oferecerem pós-graduação stricto sensu.

Como o IGC considera o CPC dos cursos avaliados no ano do cálculo e nos dois anos anteriores, sua divulgação refere-se sempre a um triênio, compreendendo todas as áreas avaliadas previstas no Ciclo Avaliativo do Enade.

O impacto do modelo acadêmico na eficiência operacional de uma IES

A folha de pagamento é a principal linha de custo de qualquer empresa prestadora de serviços. No ensino superior, não é diferente. No Brasil, os custos com folha de pagamento normalmente consomem mais de 50% da receita líquida de uma IES, comprometendo de forma significativa seu resultado operacional. Deste custo, mais da metade representa a folha de pagamento do corpo docente. IES financeiramente saudáveis não costumam comprometer mais de 30% da receita líquida com folha de pagamento docente, mas não é isso que se vê com a maioria da IES brasileiras, principalmente as pequenas e médias.

Um modelo acadêmico eficiente é aquele que não somente visa garantir resultados positivos nos indicadores de qualidade externos, como IGC, CPC, ENADE, desempenho no exame da OAB, e internos, como empregabilidade, satisfação dos alunos, corpo docente, entre outros. Um modelo acadêmico eficiente visa, sobretudo, garantir a melhor alocação dos recursos disponíveis e, consequentemente, a entrega dos resultados financeiros de uma IES.

Na construção do planejamento estratégico de qualquer IES, é fundamental definir os indicadores de performance acadêmicos, financeiros e, sobretudo a inter relação entre eles. Obviamente, a definição desses indicadores varia de acordo com a estratégia de cada IES, mas alguns deles, independentemente do posicionamento estratégico, deveriam ser considerados em qualquer plano.

Um dos indicadores de performance mais importantes de qualquer IES é o comprometimento da receita líquida pela folha de pagamento docente. Trata-se da principal linha de custos de uma IES. Por isso, uma boa gestão deste indicador é praticamente a garantia da entrega dos resultados financeiros. Ele é impactado basicamente por dois outros indicadores: de um lado, a receita líquida, que depende do portfólio da IES, do ticket médio e do número de alunos matriculados. E do outro lado, a folha de pagamento docente, que depende do plano de carreira da IES, das convenções coletivas de trabalho estabelecidas entre os sindicatos patronais e os sindicatos dos professores, do número médio de alunos por turma e da carga horária semanal de atividades atribuída a cada curso.

Por exemplo, se uma IES possui uma média de 20 alunos por turma, seu custo com corpo docente será o dobro do custo que esta mesma IES teria a média de alunos por turma fosse 40. Simples assim! O número de alunos por turma é altamente impactado pela captação e pela evasão, mas também pela competência da IES de criar mecanismos favoráveis ao aumento do tamanho das turmas. Fatores como a adoção de matrizes sinérgicas,  modularização de entradas de alunos e até mesmo uma distribuição inteligente dos tamanhos das salas de aula de um campus são fundamentais para o alcance de uma boa performance nesse indicador.

Outro indicador importante para a reduzir o comprometimento da receita líquida pela folha docente é a carga horária semanal de atividades atribuídas a cada curso. Se um curso possui, em média, 15 horas aula de atividades por semana, ele comprometerá 25%  menos a receita líquida do que um curso que possui, em media, 20 horas aula de atividades semanais.

Se houver uma grande sinergia entre as matrizes curriculares e se o tamanho das salas de aula não limitarem a quantidade de alunos por turma,  é possível atingir uma eficiência de enturmação ou ensalamento, aumentando o número de alunos por turma. Quanto maior for o número de alunos por turma, menor será o custo da folha de pagamento docente e, consequentemente, o comprometimento da receita líquida pela folha de pagamento, aumentando a rentabilidade da IES.

É natural que IES que tenham diferentes cursos de uma mesma área já utilizem as matrizes sinérgicas a fim de melhorar sua eficiência operacional. No entanto, essa sinergia é normalmente adotada no início dos cursos, nos primeiros anos das matrizes, e este pode não ser o melhor modelo. Normalmente, as turmas dos primeiros períodos são maiores. A maioria das IES possuem critérios rígidos que preveem um número mínimo de alunos para a abertura de uma nova turma. Esse número mínimo depende de diversos fatores, entre eles o ticket médio e os custos diretos desse curso. Isso quer dizer que, via de regra, os primeiros períodos dos cursos iniciam com turmas cheias, ou seja, não há tanta necessidade de agrupar alunos de diferentes cursos em uma mesma sala de aula (ensalamento). Além disso, há aspectos relacionados à qualidade do ensino e à infraestrutura que podem contraindicar essa prática como regra nos períodos iniciais. Com a evasão natural dos alunos, que acontece principalmente nos dois primeiros anos de curso, o número médio de alunos por turma tende a reduzir, ou seja, o ideal é que disciplinas sinérgicas sejam alocadas do segundo ano pra frente, onde o tamanho das turmas é reduzido, ou seja, é quando a IES mais precisa lançar mão do ensalamento para garantir uma boa eficiência.

Além da sinergia entre as matrizes, se a IES permitir a modularização das entradas de alunos, os calouros ingressarão em turmas que já estejam em andamento, aumentando ainda mais a quantidade média de alunos por turma, reduzindo o custo da folha de pagamento docente e, consequentemente, o comprometimento da receita líquida pela folha de pagamento

Outro elemento que contribui consideravelmente para o ganho de eficiência é a oferta de 20% do curso na modalidade EaD.  Desde 2004, quando foi publicada a portaria nº 4.059, é permitida a oferta semi-presencial de até 20% da carga horária total dos cursos superiores reconhecidos.

No entanto, pesquisas recentes apontam que praticamente 60% das pequenas e medias IES não aproveitam essa oportunidade. Os motivos são vários e vão desde a falta de conhecimento em relação às possibilidades que a EAD traz até a ideia de que a modalidade não funciona ou possui menos qualidade do que o ensino presencial.

A oferta de disciplinas na modalidade semipresencial cria um cenário ideal para a promoção da inversão da sala de aula. Neste modelo, tudo que diz respeito à oferta de conteúdo acontece online, respeitando o ritmo individual de aprendizagem de cada aluno. Os momentos presenciais são utilizados para a aplicação desse conteúdo, através de metodologias ativas de aprendizagem. Ou seja, a aula acontece em casa (no AVA) e os momentos presenciais, na escola, são utilizados para a resolução de exercícios e problemas. A lição de casa é feita na escola e a aula acontece em casa. Por isso, a utilização do termo inversão da sala de aula (ou flipped classroom). Pesquisas recentes apontam que, no modelo híbrido (presencial + EaD), o aluno aprende mais, fica mais satisfeito, evade menos e ainda custa menos para a IES.

É muito provável que em muito pouco tempo tenhamos um modelo único de educação, que não será exclusivamente a distância nem exclusivamente presencial. Teremos um modelo híbrido (ou blended learning), com momentos presenciais facilitados por tecnologias da informação e comunicação que funcionam muito bem na EAD.

Resumindo, a modularização das entradas de alunos, a sinergia entre as matrizes curriculares, a adequação do tamanho das salas, um bom modelo de ensalamento e a oferta inteligente dos 20% EAD são elementos do modelo acadêmico que reduzem consideravelmente a principal linha de custo de qualquer IES, sem comprometer a qualidade, podendo determinar sua sustentabilidade financeira.

Artigo por: Gustavo Hoffman, Pró Reitor acadêmico – Grupo Ális

Entenda a relação entre a renda dos alunos e suas notas no ENEM

Observando os dados sócio econômicos dos candidatos do Enem 2014, vê-se notória diferença entre o perfil dos alunos de acordo com a média de pontos atingida. Afim de entender a relação entre a renda dos alunos e suas pontuações no ENEM, a Educa Insights analisou as características do candidatos.

Dividimos os candidatos do Enem em três faixas segundo suas pontuações:

  1. Alunos que atingiram menos de 450 pontos;
  2. Alunos que atingiram entre 450 e 600 pontos;
  3. Alunos que atingiram mais de 600 pontos;

Apenas 10% dos candidatos da faixa 1 (alunos que atingiram menos de 450 pontos) pertenciam as classes sociais AB1, ao passo que 24% deles estavam nas classes DE. Essa relação muda para 16% e 14%, respectivamente, quando analisa-se os alunos da faixa 2, que atingiram entre 450 e 600 pontos. Já dentre os alunos  da faixa 3 (que atingiram mais de 600 pontos), 44% são da classe AB1 e somente 3% das classes DE.

Confira no gráfico abaixo a relação entre a classe sócio-econômica dos alunos e suas notas no ENEM:

grafico-enem

Aproveite para baixar o infográfico completo ➙ aqui.

Aqueles que pontuaram mais são de classes mais altas, advindos em sua maioria de colégios particulares. Desta forma, constatamos que candidatos de classes mais altas têm melhor desempenho nas avaliações do ENEM.  Tal evidência de que alunos das classes mais altas pontuam mais também reflete na porcentagem dos que estudam ou estudaram em escolas particulares.

Entre candidatos que fizeram até 450 pontos, 6% estudaram em escolas particulares, ao passo que na faixa 2 (entre 450 e 600 pontos) esse percentual aumenta para 15%,  e tornam-se maioria dentre os que realizaram mais de 600 pontos, alcançando a marca de 66%.

Apenas 9% do total de candidatos do Enem 2014 atingiram pontuação mais alta (mais de 600 pontos), correspondendo a 529 mil alunos - quantidade três vezes maior que o número de vagas ofertadas no SISU naquele ano.  Tal relação, associado ao fato de que 90% dos candidatos ENEM o fizeram motivados por conseguir uma vaga no superior público, sugere que os alunos do ensino superior público via SISU pertençam majoritariamente à faixa 3 de pontuação.  Sendo assim, alunos de classes sociais altas ao pontuarem mais no ENEM têm mais chance de ingressar no ensino público.

Visto a popularização do ENEM entre demandantes de Ensino Superior, é de extrema importância analisar o perfil dos candidatos da prova, pois assim se averígua a demanda do mercado. Se você quer saber mais sobre o mercado de educação, assine nossa newsletter aqui.

A evolução do FIES: o programa está em declínio?

Criado em 1999, o Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) oferece financiamento com maior carência e menores taxas de juros que o mercado para os estudantes. Com a atual crise orçamentária do governo federal, no entanto, há uma incerteza quanto a permanência da oferta do programa.

Ainda que ofertado há mais de 15 anos, foi a partir de 2010 que o FIES aumentou largamente o número de novos contratos anuais. Em 2010, ano em que as regras do financiamento foram flexibilizadas, o número de novos contratos cresceu 130%, em relação a 2009 e continuou a aumentar cada vez mais nos anos subsequentes. Em 2014, atingiu o ápice dessa expansão com 731 mil contratos. No entanto, em função de problemas orçamentários do governo, as regras para acesso ao benefício foram restringidas em 2015 e o número de novos contratos caiu drasticamente.

Os 17 anos de FIES: Evolução histórica de novos contratos (em milhares)

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Os novos contratos de 2015 somaram 314 mil, 57% a menos dos oferecidos no anterior. Apesar da expectativa de que a partir disso o programa entrasse em declínio, os resultados do primeiro semestre de 2016 se mostraram relativamente positivos. Foram 250 mil contratos firmados nessa primeira seleção, que tende a possuir, em média, 68% do número de contratos anuais. Caso isso se confirme, o programa em 2016 contaria com quase 370 mil novos contratos.

Além das manifestações por parte de membros governamentais de que o número de contratos desse ano será no mínimo igual ao de 2015, tem-se o FIES como um dos carros chefes para o cumprimento de uma das principais metas do Plano Nacional da Educação da década (PNE). Os programas FIES e ProUni são os viabilizadores do objetivo de elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% . Visto que a meta ainda está longe de ser atingida (em 2013 a taxa bruta era de 32%), pode-se crer que a manutenção do FIES é tida como estratégica, ainda que o programa não venha a atingir patamares tão elevados como no período 2010-14.

Já que a oferta do FIES impacta diretamente nas matrículas das instituições de ensino privadas, é de extrema importância acompanhar o comportamento que o programa tende a apresentar. Quer continuar recebendo conteúdos da Educa Insights e ficar por dentro das novidades? Basta assinar nossa newsletter aqui!

 

Censo da Educação Superior 2014: conheça os principais resultados

A partir da coleta de dados realizada pelo INEP, órgão que disponibiliza anualmente o Censo da Educação Superior, são reunidas informações sobre as instituições de ensino superior, como seus cursos de graduação, matrículas, ingressantes e concluintes no país. Os dados de 2014 foram recentemente publicados, nos possibilitando analisar os principais resultados do Ensino Superior naquele ano. Confira! (mais…)