EDUCAÇÃO SUPERIOR PARTICULAR CRESCE EM QUALIDADE ACADÊMICA

As instituições de ensino superior (IES) particulares estão evoluindo tanto em qualidade quanto em aumento dos cursos de excelência. É o que indicou a análise de cenário realizada pela Educa Insights, empresa especialista em pesquisa no mercado da educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES).

Ao avaliar indicadores de qualidade de IES públicas e particulares, baseados nos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a análise demonstra o panorama da qualidade do ensino superior brasileiro de instituições de ensino superior (IES), em diferentes categorias administrativas, e ele indica uma maior evolução no setor particular.

Primeiramente, foi feita a análise da evolução das IES e dos cursos de excelência levando em conta o resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2015 e os indicadores de qualidade: Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC).

Foram analisados os comportamentos e cursos de excelência das IES com notas 4 e 5, dos setores público e privado. O resultado mostrou que houve uma maior evolução no setor particular, apesar de a proporção de IES e cursos de excelência ainda ser maior no setor público.

Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2015, das 2.364 instituições de ensino superior (IES) existentes no Brasil, 2.069 são particulares. No entanto, a concentração dos cursos de excelência ainda é maior nas IES públicas (37% contra os 28% oferecidos pelas IES particulares). Vale registrar, contudo, que uma quantidade maior de alunos desses cursos de excelência (85%) está ingressando nos oferecidos pelas IES particulares, o que indica que o potencial dos cursos de excelência é ainda melhor aproveitado no setor privado, mesmo com uma fatia menor de IES com cursos de excelência.

A análise também levantou as melhores IES por cursos avaliados e o resultado demonstrou que as instituições particulares estão evoluindo. Foram selecionados os 15 maiores cursos do ciclo de 2015 e analisadas as dez melhores IES por curso (a partir das notas do CPC= 4 e 5). O resultado indicou que as IES de melhor performance no CPC são as particulares e, mesmo quando consideramos somente cursos de graduação bacharelado, percebemos que 79% das IES com os melhores cursos também são as privadas.

O setor de educação superior particular vem crescendo consideravelmente ao longo dos anos. Isso significa que as IES particulares estão sendo fundamentais para a expansão do segmento, e estão cada vez mais competitivas em relação à qualidade acadêmica e institucional, contribuindo assim para o aumento no acesso à educação superior.

 

Para saber mais

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação, em relação aos conteúdos programáticos, habilidades e competências adquiridas em sua formação. O exame é obrigatório e a situação de regularidade do estudante no Exame deve constar em seu histórico escolar.

A primeira aplicação do Enade ocorreu em 2004 e a periodicidade máxima da avaliação é trienal para cada área do conhecimento. Em 2015 os cursos aferidos forma Negócios e Humanidades.

O Conceito Preliminar de Curso (CPC) é um indicador de qualidade que avalia os cursos de graduação. Seu cálculo e divulgação ocorrem no ano seguinte ao da realização do Enade, com base na avaliação de desempenho de estudantes, no valor agregado pelo processo formativo e em insumos referentes às condições de oferta – corpo docente, infraestrutura e recursos didático-pedagógicos –, conforme orientação técnica aprovada pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes).

O Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) é um indicador de qualidade que avalia as Instituições de Educação Superior. Seu cálculo é realizado anualmente e leva em conta os seguintes aspectos:

  • Média dos CPCs do último triênio, relativos aos cursos avaliados da instituição, ponderada pelo número de matrículas em cada um dos cursos computados;
  • Média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu atribuídos pela CAPES na última avaliação trienal disponível, convertida para escala compatível e ponderada pelo número de matrículas em cada um dos programas de pós-graduação correspondentes;
  • Distribuição dos estudantes entre os diferentes níveis de ensino, graduação ou pós-graduação stricto sensu, excluindo as informações do item II para as instituições que não oferecerem pós-graduação stricto sensu.

Como o IGC considera o CPC dos cursos avaliados no ano do cálculo e nos dois anos anteriores, sua divulgação refere-se sempre a um triênio, compreendendo todas as áreas avaliadas previstas no Ciclo Avaliativo do Enade.

Vídeo Beduka – Opiniões de especialistas em educação

Nosso Sócio-Diretor, Luiz Trivelato, fala neste vídeo sobre o Beduka, uma plataforma que reúne diversas informações de cursos e instituições de ensino superior (públicas e privadas) com o objetivo de facilitar a escolha e o ingresso dos estudantes. Além de um buscador, é uma poderosa ferramenta de visibilidade e captação para as instituições de ensino. Assista ao vídeo e saiba mais sobre a ferramenta.

 

Vídeo 10º Cbesp Luiz Trivelato – Os seis primeiros meses de um aluno do EaD

Dia 27.05.2017 a Educa Insights esteve presente no 10º CBESP. E Luiz Trivelato, nosso Sócio-Diretor, palestrou com o tema: Do vestibular à primeira avaliação: Os seis primeiros meses de um aluno do EaD. Assista a palestra na íntegra.

MEC atualiza regulamentação de EaD e amplia a oferta de cursos

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Para ampliar a oferta de cursos de ensino superior no país, o Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quarta-feira, 21, portaria que regulamenta o Decreto nº 9057, de 25 de maio de 2017, com o objetivo de ampliar a oferta de cursos superiores na modalidade a distância, melhorar a qualidade da atuação regulatória do MEC na área, aperfeiçoando procedimentos, desburocratizando fluxos e reduzindo o tempo de análise e o estoque de processos.

A portaria possibilita o credenciamento de instituições de ensino superior (IES) para cursos de educação a distância (EaD) sem o credenciamento para cursos presenciais. Com isso, as instituições poderão oferecer exclusivamente cursos EaD, na graduação e na pós-graduação lato sensu, ou atuar também na modalidade presencial. O intuito é ajudar o país a atingir a Meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE), que determina a elevação da taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida em 33% da população de 18 a 24 anos. Na mesma linha, as IES públicas ficam automaticamente credenciadas para oferta EaD, devendo ser recredenciadas pelo MEC em até 5 anos após a oferta do primeiro curso EaD.

Para garantir segurança e qualidade, a portaria reitera que a oferta de cursos EaD requer autorização prévia do MEC para seu funcionamento, exceto para as instituições de ensino superior que possuem autonomia, e que todas as instituições devem manter cursos de graduação em funcionamento, não sendo permitida a oferta somente de pós-graduação lato sensu.

Outra inovação que a portaria traz é a criação de polos de educação a distância pelas próprias instituições já credenciadas para esta modalidade de ensino. O documento detalha ainda a quantidade de polos que as instituições poderão criar, baseado no conceito institucional (CI) mais recente da instituição.

As instituições de ensino superior que possuem CI 3 poderão criar até 50 polos por ano, as com CI 4 poderão criar 150 e as com CI 5 poderão criar até 250 polos por ano. Elas também podem optar por continuar atuando somente na sede. Essa medida permitirá a ampliação da oferta por meio de polos EaD pelas IES já credenciadas, já que antes do Decreto recentemente publicado os processos de credenciamento de polos eram analisados pelo MEC, com tempo de análise bastante prolongado. Para o Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Henrique Sartori, “esses quantitativos levam em consideração a preocupação que o Ministério da Educação tem em relação à qualidade das instituições, já que elas poderão criar mais polos conforme a qualidade que a instituição possuir e apresentar para a educação a distância. Então a criação dos polos fica condicionada à gradação da qualidade que as instituições do sistema possuem”.

Visitas in loco – As avaliações in loco realizadas pelo MEC passarão a se concentrar na sede das instituições e não mais nos polos. Entretanto, na visita, os avaliadores irão verificar se a estrutura da IES atende aos cursos propostos, bem como à quantidade de estudantes a serem atendidos na sede da instituição e nos polos. Para os cursos, as Diretrizes Curriculares Nacionais continuam sendo referência, inclusive para verificar os momentos presenciais obrigatórios e outras especificidades de cada área.

Cursos sem atividades presenciais, por sua vez, passam a ser permitidos, mas exigem autorização prévia do MEC e visita de avaliação in loco, mesmo para as IES com autonomia.

A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC (Seres) pretende, ainda, implementar ações de monitoramento dos polos EaD, a fim de garantir que os requisitos de funcionamento sejam cumpridos.

Regras de transição – Para os processos que estão em trâmite na data de publicação da portaria, são previstas disposições transitórias que adequam a análise dos processos à nova legislação. Não haverá necessidade de continuidade das visitas em polos ainda não visitados. As sedes e polos já visitados terão portaria de credenciamento publicada pelo MEC e as IES poderão criar os polos por ato próprio, com arquivamento dos processos pela SERES. Somente as IES que optarem por aguardar visita e não se utilizar da nova legislação é que devem comunicar ao MEC a sua opção. As que optarem por seguir a nova legislação terão a análise dos processos concluída pelo MEC.

O Secretário Henrique Sartori ainda relembra que até a edição do Decreto nº 9.057 estava vigente um Decreto do ano de 2005, em uma área com tantas mudanças tecnológicas como a EaD. Na época, não haviam sido inventadas as muitas das tecnologias de comunicação e informação disponíveis atualmente, incluindo simuladores de realidade aumentada e realidade virtual, materiais didáticos e outras inovações. Com o Decreto recentemente publicado e a portaria, o país caminha na direção dessas inovações e, além disso, aumenta a concorrência no setor, incentivando a ampliação da oferta e a qualidade.

As alterações foram publicadas na portaria normativa Nº 11 do Diário Oficial da União desta quarta-feira, 21.

Assessoria de Comunicação Social

Fonte: Clique aqui

Como Alavancar a Captação no EAD?

O CAMINHO DO SUCESSO PARA A JORNADA DO ESTUDANTE.

O Ensino à Distância (EAD) é um segmento em expansão no Brasil e apresenta tendência real de crescimento. A escolha do aluno por um curso superior na modalidade EAD tem a acessibilidade  como um dos fatores principais para a escolha. Segundo dados do ENADE 2014, divulgados pelo MEC/INEP, o perfil das IES privadas corrobora com esse apontamento, uma vez que 66% dos alunos do EAD têm mais de 30 anos , 85% trabalham, 52% contribuem para o sustento da família e 67% possuem renda familiar média de até 3 salários mínimos. Em contrapartida, no ensino presencial o aluno é mais jovem, com apenas 30% na faixa acima de 30 anos, 23% possui renda inferior a 3 salários mínimos, 64% trabalham e 30% ajudam com as despesas da casa, ou seja, a maioria das pessoas que optam pelo Ensino à Distância são atraídas por sua flexibilidade de tempo e valores mais acessíveis. De acordo com dados do Censo de Educação Superior de 2015 (INEP), mais de 20% das matrículas das IES privadas já são na modalidade à distância, cuja oferta tem crescido a taxas superiores ao ensino presencial nos últimos anos. Os cursos mais procurados são Pedagogia, Administração, Licenciaturas e Tecnólogos da área de gestão.

Como qualquer mercado em expansão, ter um diferencial é fundamental para acompanhar a oferta e atender à demanda crescente. Em um segmento em que a marca se destaca somente no local onde a IES possui o modo presencial, o preço é fator preponderante. Entretanto, o bom relacionamento com o estudante, desde o momento da escolha pelo curso e instituição de ensino, até a matrícula e seus primeiros meses como aluno, é primordial. Segundo pesquisa realizada este ano pela Educa Insights, o relacionamento com o candidato e com o aluno representa 60% dos fatores-chave para a satisfação do aluno com a instituição. A pesquisa consistiu no acompanhamento da jornada do estudante da modalidade à distância, por meio de inscrição em processos seletivos e matrícula em 16 das maiores instituições de ensino do país, representando 88% das matrículas de EAD. Foram avaliados quatro aspectos da jornada do aluno: inscrição, processo de vestibular, serviços ao estudante e a experiência com o curso.

Na etapa de inscrição, a maioria das IES foram bem avaliadas em relação aos sites – amigáveis e fáceis de encontrar em sites de buscas –, fichas de inscrição intuitivas e campanhas de marketing atrativas, chamando a atenção do prospect. Já em relação a informações sobre os cursos e diferenciais, somente metade das instituições da pesquisa foram bem avaliadas, e pouco mais da metade conseguiu se destacar nas réguas de relacionamento, isto é, no contato constante e com conteúdo relevante para auxiliar o candidato no processo seletivo e demais etapas. Nesse período, poderá se destacar a IES que conseguir se relacionar de maneira efetiva com o candidato, chamando atenção para seus diferenciais em metodologia, grade de cursos e serviços ao estudante – como lembretes para realizar a prova do vestibular, bom atendimento no Polo, infraestrutura adequada e comunicação assertiva.

(Gráfico: A Jornada do prospect: da inscrição até a rematrícula/ evasão)

 

Após a prova do vestibular, a pesquisa demonstrou que apenas pequena parcela das IES conseguiu se sair bem nos processos avaliados. Destacam-se aquelas que comunicam o resultado de aprovação rapidamente, oferecem condições especiais de pagamento da matrícula e opções de descontos e/ou financiamentos, além de divulgar de modo claro e por diferentes meios – email, SMS, telefone, whatsapp – os procedimentos de matrícula, tornando simples e objetiva esta etapa para o candidato.

Os resultados do estudo apresentam um cenário ainda menos favorável a partir do ingresso do estudante nos cursos das IES pesquisadas. Pouco mais de 20% das instituições entrou em contato com o aluno nos primeiros dias após a matrícula, oferecendo tutoriais para uso do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) e contato direto do tutor online. Ao longo do primeiro semestre de experiência como estudantes das IES do estudo, diferenciaram-se aquelas que mantiveram contato próximo dos tutores, com acompanhamento de atividades e auxílio nas dúvidas acadêmicas. Em relação à plataforma de ensino e aos materiais disponibilizados no AVA, o desempenho das instituições foi um pouco melhor, com mais da metade do grupo ofertando conteúdo adequado. Por fim, ao se aproximar do período de rematrícula, apenas uma das instituições se antecipou enviando informações sobre o processo e ofertou alternativas para alunos com problemas financeiros ou pendências acadêmicas, o que pode evitar a evasão de alunos.

A conclusão do estudo mostra que “relacionamento” é a palavra-chave para as instituições que buscam se diferenciar! Quem desejar ser líder de mercado precisa ouvir os alunos e compreender o perfil dos candidatos, auxiliá-los na tomada de decisão, com assertividade na comunicação e serviços que simplifiquem a jornada do estudante EAD, facilitando o processo de escolha pelo curso e o caminho até a matrícula.

 

RUMOS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL

SUMÁRIO EXECUTIVO DA ANÁLISE SETORIAL DA EDUCAÇÃO

A Educa Insights, em parceria com o Grupo A, lançou o Sumário Executivo da Análise Setorial da Educação Superior no Brasil. O estudo traça um panorama do setor de educação superior brasileiro, trazendo dados e análises inéditos sobre o mercado, com base no Censo da Educação Superior, publicado em 2015 pelo INEP.

A análise apresenta a grande concentração de estudantes do Ensino Superior em instituições privadas, que representam 77% das matrículas totais. Este fenômeno é o resultado da expansão e investimentos do setor privado, enquanto o setor público não tem sido capaz de suprir a demanda, e hoje representa apenas 23% das matrículas de graduação no país.

Apesar desse crescimento, o período atual é de desaceleração, ainda que não apresente retração em termos absolutos. Em 2014, o crescimento da educação superior privada atingiu seu pico, com 9% de matrículas acima do ano anterior. Em 2015, no entanto, o setor cresceu apenas 3% comparado a 2014, pois enfrentou barreiras como a aceleração da crise econômica e diminuição do volume de novos contratos do FIES, além mudanças nas regras do financiamento governamental, tornando-o menos acessível, o que contribuiu para a diminuição da capacidade dos estudantes de arcar com as mensalidades dos cursos superiores.

No atual cenário, o Brasil ainda apresenta um número baixo de pessoas com ensino superior completo, num total de apenas 7,5% da população geral. Esse indicador coloca o país em um dos piores patamares da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para entender o desafio colocado pelo Plano Nacional de Educação (PNE), é necessário levar em conta a taxa de penetração bruta e líquida, que mede o índice de pessoas que frequentam o ensino superior dentro da faixa etária alvo – entre 18 e 24 anos. O PNE tem como meta atingir 50% da taxa bruta de penetração até 2024, e 33% da taxa líquida. Entende-se por taxa bruta o total da população que estuda no ensino superior – de qualquer idade – dividida pela população de 18 a 24 anos, onde o país atingiu 34% em 2015. Já a taxa líquida, na qual o Brasil atingiu apenas 17%, considera o total de alunos matriculados no ensino superior dentro da idade alvo de 18 a 24 anos, dividido pela população dentro dessa faixa etária. Os dados mostram que, apesar da evolução, o país ainda precisa avançar muito para atingir as metas da política educacional, apresentando incremento de mais de 3,7 milhões de matrículas até 2024.

Sob essa perspectiva de mudanças no mercado educacional e necessidade de melhorias e crescimento, uma modalidade apresenta crescimento significativo e absorve fatia importante do volume de alunos. O Ensino à Distância (EAD), com novas tecnologias e atores no setor, apresenta vantagens como a redução de custos com estrutura física, número de alunos atendidos por um mesmo corpo docente, acessibilidade remota e gestão do tempo. Em um comparativo entre as modalidades, o Ensino à Distância está conquistando um espaço frente ao modelo tradicional, crescendo sempre acima das taxas da modalidade presencial. Em 2015, o EAD cresceu 5% em relação a 2014, enquanto o presencial cresceu apenas 2%.

Os esforços entre o setor privado e público mantêm o mercado em constante movimento. Um dos reflexos dessa parceria é o sistema FIES. Em 2010, o programa era muito atrativo com juros baixos e longos períodos para pagamentos, atingindo a marca de 76 mil alunos inscritos naquele ano. Entretanto, em 2015 o FIES passou por reestruturações, restringindo o acesso, principalmente o volume de novos contratos: do pico de 731 mil contratos anuais em 2014, o número caiu para 315 mil em 2015, primeiro ano de vigência das novas regras.

A tentativa de controlar as despesas governamentais foi a justificativa da reforma de 2015. O gráfico demonstra claramente a expansão agressiva do FIES no período das regras flexíveis para os alunos, entre 2010 e 2014. Todavia, o custo associado ao programa também teve um aumento exponencial no mesmo período.

No entanto, em comparação às instituições federais, atualmente o maior gasto por aluno que se atingiu com o FIES está abaixo do custo por aluno nas instituições públicas. Em 2015, um aluno extra em IES pública representaria um dispêndio dos cofres públicos quase 90% maior que seu custo via FIES.

Portanto, ao longo das últimas décadas houve um crescimento relevante do setor privado na Educação Superior do país. Gradualmente, o governo brasileiro passa a oferecer incentivos ao desenvolvimento deste mercado e a parceria entre as esferas tem o objetivo comum de melhorar os índices na educação e consequentemente o avanço do alcance ao Ensino Superior. Resta saber se as novas regras do FIES, com expectativa de publicação ainda em 2017, e a nova regulamentação do EAD – publicada no último 25 de maio –, que promete flexibilizar a abertura de cursos, polos e instituições, vão contribuir para o incremento do acesso à educação superior.

Baixe o material na integra aqui.

 

Maioria dos cursos de mais de R$ 3 mil tem nota 3

A maioria dos cursos de ensino superior da área de humanas que oferecem Fies, o programa de financiamento do governo federal, e cobram mensalidades acima de R$ 3 mil atingiu no máximo nota 3 de um ranking que vai de 1 a 5 do Ministério da Educação (MEC), segundo levantamento da consultoria Educa Insights. O conceito 3 é o mínimo necessário para que o curso integre programas governamentais de crédito e bolsa de estudos e tenha aprovada a abertura de novas vagas.

O estudo mostra que 62,5% dos cursos que custam mais de R$ 3 mil por mês tiveram 3 no Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador que considera a nota do aluno no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), infraestrutura da faculdade, desenvolvimento acadêmico do estudante durante a graduação, professores com doutorado, entre outros quesitos. Uma parcela de 4,2% dos cursos dessa faixa de preço teve nota 2.

Para fazer o levantamento, a Educa Insights elencou as mensalidades praticadas neste ano em 4.661 mil graduações presenciais que oferecem Fies e cruzou com as notas obtidas nas avaliações do MEC que mensuram a qualidade acadêmica de universitários e cursos. A consultoria só considerou os cursos com Fies porque esses têm dados públicos sobre suas mensalidades o programa do governo exige essa divulgação. A última avaliação de graduações foi feita com alunos da área de humanas que se formaram em 2015.

O curso de Economia da FAAP, cuja mensalidade é R$ 3,5 mil, por exemplo, foi classificado com nota 2 pelo CPC. Na PUCRio, o curso de Economia que tem mensalidade na casa de R$ 4 mil teve nota 3. O curso de Direito no Mackenzie, em São Paulo, que custa em torno de R$ 2 mil por mês, também foi considerado 3 pelo MEC.

"Nossos professores têm contrato por horaaula de trabalho, não é período integral. Isso joga nosso CPC para baixo, mas estamos revendo esse formato de contratação para melhorar a nota", disse Luiz Alberto Machado, vicediretor de Economia da FAAP. Um dos critérios na avaliação do MEC é a quantidade de professores contratados em período integral. Considerando apenas o Enade exame feito pelos alunos a nota do curso de Economia da FAAP foi 3.

Benedito Guimarães Aguiar Neto, reitor do Mackenzie, afirmou que "o resultado não atendeu as expectativas da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, zelosa quanto à sua qualidade", em nota enviada ao Valor. "Entendemos que o resultado aferido não é compatível com a qualidade acadêmica histórica do nosso curso, haja vista outros indicadores, a exemplo da aprovação nos exames da OAB", acrescentou.

A PUCRio não retornou os pedidos da reportagem.

Segundo as faculdades premium, outro fator que explica o desempenho acadêmico é o critério que considera a evolução do aluno nos quatro anos da graduação. O MEC avalia o progresso do estudante no Enem (exame aplicado aos concluintes do ensino médio) e no Enade. A evolução acadêmica do aluno de faculdades premium que, normalmente, vem de bons colégios e tira notas mais altas no Enem, é menor quando comparada a do estudante de instituições populares. Boa parte dos universitários de faculdades populares teve nota baixa no Enem e o progresso que consegue obter até o termino do curso, quando faz o Enade, é maior. Os grandes grupos de ensino superior costumam dar aulas de reforço e treinamento para este último exame do MEC.

Segundo Luiz Trivelato, sócio da Educa Insights, uma das razões que explicam o desempenho das faculdades é o financiamento estudantil do governo. "Com o boom do Fies, várias instituições podem ter aumentado de forma exagerada as mensalidades e algumas escolas premium podem ter absorvido alunos com baixo desempenho acadêmico por meio do financiamento estudantil", disse Trivelato.

O consultor lembra ainda que no último ciclo do Enade não foram avaliados cursos das áreas de saúde e engenharia, cujas instituições de ensino premium costumam se destacar. As avaliações do MEC são trianuais e por blocos: humanas, exatas e biológicas.

Um desempenho ruim afeta a imagem da instituição e a área financeira. Isso porque as graduações com nota inferior a 3 no CPC não podem oferecer Fies e ProUni (programa de bolsa de estudo) e correm o risco de ser proibidas de ampliar o número de vagas e abrir novas unidades.

O MEC considera a nota 3 como satisfatória, porém, os acadêmicos e, mais recentemente, os investidores passaram a enxergar o conceito 4 como um diferencial, uma vez que hoje a maioria dos cursos, inclusive dos grupos de ensino mais populares, tem nota 3.

O setor de ensino superior como um todo reclama que a nota obtida no Enade não é incluída no currículo do aluno. Com isso, muitos universitários não são comprometidos com a avaliação do MEC. No entanto, o governo usa essa pontuação para mensurar a qualidade das graduações e das instituições.

Os critérios adotados pelo governo na avaliação são questionados há vários anos pelas instituições. Agora, as faculdades e o MEC negociam mudanças nesses parâmetros, sendo que um dos pleitos do setor é que a nota obtida no Enade seja incluída no currículo do aluno. Dessa forma, dizem as universidades, o aluno ficaria mais estimulado a tirar uma nota mais alta. E, por tabela, melhoraria a classificação do curso.

Fonte: Valor Econômico

 

Prouni é o objetivo de 9 em cada 10 alunos que fazem Enem

Em meio a inscrições dos aluno para ProUNI, a Educa Insights e Guia da Carreira analisaram os dados do Enem 2014 para compreender melhor quem são esses alunos que buscam o auxílio.

Percebeu-se que o  ProUni se destaca entre as opções dos candidatos da seleção de 2014 para pagar um curso superior privado – nove em cada dez pretendiam recorrer ao programa para ajudar com as mensalidades. Na sequência, as alternativas mais almejadas são bolsas das próprias instituições, seguidas pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).

Por outro lado, um em cada quatro daqueles que tiraram menos de 450 pontos no Enem queria recorrer ao Prouni ou FIES, mas foi impedido por não atingir a pontuação mínima exigida. No total, foram mais de 1 milhão de candidatos inelegíveis que almejavam essa ajuda financeira. Observou-se também que entre quem foi bem na prova, isto é, tirou mais de 600 pontos, 57% já têm experiência no mercado de trabalho e passagem pelo ensino superior.

Confira no infográfico:

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Para ler a matéria na íntegra clique aqui

 

 

Por que a Kroton e a Ser disputam a Estácio

A Ser Educacional estudava uma proposta de fusão com a Estácio desde o final de 2015. O plano era apresentá-la em meados de agosto, quando provavelmente, já estaria aprovada uma nova regulamentação sobre o Ensino a Distância (EAD) no Brasil. Ao tomar conhecimento pela imprensa de que a Kroton, líder do setor de educação no país, estava com a mesma ideia, os executivos apressaram o passo. Ontem (06/06), a Ser, o maior grupo de educação do Nordeste, enviou ao conselho da Estácio a ideia da fusão. A combinação das duas empresas daria origem a uma companhia com 740 mil alunos e R$ 4 bilhões em receita.

A estratégia da Ser é ganhar presença no setor EAD via Estácio, já que o grupo recém iniciou na modalidade e a Estácio já tem um grande ensino a distância. Além disso, a Ser enxerga a fusão como uma "complementaridade", tanto em termos geográficos, quanto de mercado.

No momento, a Ser aguarda o conselho da Estácio se posicionar. Em fato relevante publicado ontem (05/06), a empresa afirmou que montou um comitê com quatro executivos para analisar a proposta recebida e uma eventual sondagem da Kroton.

A fusão faz sentido?

Independente do par que vier a ser formado, analistas apontam que a fusão faz sentido em um momento que o setor de educação não cresce de forma orgânica - muito em parte por conta da redução drástica ocorrida no FIES. Além disto, a crise econômica proporciona ambientes favoráveis à novas aquisições ou fusões em um setor que, acostumou-se a crescer, por este modelo.

Vê-se que a Estácio apareceu como oportunidade pois foi a que teve maior desvalorização entre as grandes. Não é que os investidores a veem como mal posicionada. Pelo contrário - tem boa marca, bom posicionamento geográfico, diversificação forte no EAD.

O que houve é que a Kroton viu uma oportunidade. Como ponto forte do lado da Kroton aparece, portanto, sua gestão. "Eles são um case em termos de gestão eficiente, principalmente no que vem fazendo nos últimos cinco anos", disse Daniel Infante, da Educa Insights. Por outro lado, veem maiores empecilhos regulatórios em uma fusão dela com a Estácio do que com a Ser. "Basta lembrar o caso da Anhanguera, quando a Kroton precisou se desfazer de uma ativo importante no EAD", diz Infante.

Estudo realizado pela Educa Insights avaliou o quanto cada fusão poderia gerar riscos em termos de competitividade em uma eventual análise do Cade. O órgão regulatório considera irregular toda fusão ou aquisição que gere, entre as instituições que a compõem, 30% ou mais do número total de alunos de uma cidade. Ou seja, número ultrapassado, a empresa teria que se desfazer de algum ativo. Em uma possível fusão com a Kroton, 75 cidades brasileiras ultrapassariam este limite . Destas, 69 ocorrem por conta do EAD – reflexo da capilaridade da Kroton neste sistema. Seguindo a mesma análise, uma fusão entre Ser e Estácio, levaria à mira do Cade, apenas 5 cidades brasileiras onde o volume de alunos ultrapassaria os 30%. A fusão com a Ser, portanto, teria maior chance de passar incólume pelo Cade.

Qualidade do ensino

Analistas, contudo, não creem que a fusão - seja qual for - traria um eventual salto de qualidade no ensino superior hoje disponível no Brasil. E isto não deve-se à um dos três grupos em específico. Pelo contrário, as operações da Ser, Kroton e Estácio são vistas como eficientes dentro do que o mercado hoje exige - um modelo que privilegia a gestão da operação, mesmo que implique em perda de qualidade. "Não tem segredo. Não existe você crescer do jeito que elas crescem mantendo o nível de qualidade. Em termos acadêmicos, a fusão muda pouco. Em termos de mercado, há a pulverização de mercado, que vai ser mais expressiva", disse Infante.

Para Infante, o maior desafio que esses grandes grupos de educação têm hoje é conseguir gerenciar seus clientes de forma mais eficiente. Na prática, significa, tornar o aluno fiel à marca e ao estudo. "Quem de fato forma uma marca é o aluno que está lá dentro. Hoje, o que vemos, é um jogo de volume, do preço mais acessível, que joga lá para baixo a fidelização. No médio, longo, prazo, é algo insustentável".

No EAD, o especialista cita que 95% dos alunos que chegam à este método de ensino vieram de um sistema no qual estavam acostumados à sentar na sala-de aula e ouvir o professor a falar. "É preciso mudar também essa mentalidade para que eles de fato consigam aprender sozinhos".

Veja a matéria na íntegra aqui.

Kroton prepara oferta de fusão com a Estácio e ações disparam

Educa Insights e outras fontes do setor analisam a possível mega fusão.

Um dos maiores grupos de ensino superior do mundo, a Kroton informou ontem que estuda uma fusão com a Estácio, o que criaria uma companhia com valor de mercado de mais de R$ 22 bilhões e 1,6 milhão de alunos - o que corresponde a 23,5% do setor de ensino superior privado brasileiro. A proposta será enviada oficialmente à Estácio em até duas semanas.

Veja a matéria na íntegra no Valor Econômico.